domingo, 4 de dezembro de 2011

Referencial Teórico

Primeiramente irei me basear em diversas fontes para delimitar o conceito de não-violência. A principal será o livro Firmeza Permanente do Secretariado Justiça e Não-Violência da Frente Nacional do Trabalho(FNT), grupo do qual o Sindicato de Perus fazia parte, e complementarei com reflexões encontradas na obra do filósofo francês Jean-Marie Muller, entre outros.

Para entender a história da mobilização analisarei os textos produzidos pelos Queixadas e pela FNT, a tese de doutorado de Élcio Siqueira na qual ele revisa a história do movimento, o livro de Silvia Manfredi sobre educação sindical no qual há um capítulo sobre os métodos pedagógicos da FNT com entrevistas realizadas pela autora em 1982 e o documentário de Rogério Corrêa com reconstituições de importantes cenas da greve de 1962 interpretadas pelos próprios Queixadas.

Pretendo avaliar se o aprendizado do conceito da não-violência foi resultado direto da mobilização e das estratégias de formação do sindicato, para tanto farei uso de algumas ferramentas teóricas da sociologia.

A não-violência pode ser vista em duas dimensões, uma mais restrita que utiliza a não-violência como uma estratégia de luta social e outra que toma a não-violência como um princípio de vida. Para fazer uma leitura da dimensão estretégica vou utilizar elementos da Teoria do Processo Político de Sidney Tarrow, principalmente o conceito de Estrutura de Oportunidades Políticas(EOP) que servirá para identificar ao longo do conflito os fatores conjunturais que favoreceram a adoção desta estratégia. O instrumental de Tarrow no entanto é mais útil para situações de confronto, para estudar a influência que o Sindicato sofreu das organizações parceiras nos periodos de "paz", lançarei mão do conceito de "redes de movimentos sociais" da Teoria dos Novos Movimentos Sociais, ainda estou reunindo os textos que vão me guiar, é provável que utilize Melucci e Touraine. Esta teoria tem também um vasto instrumental para trabalhar com a questão dos valores, que poderá me ajudar a analisar a segunda dimensão, além de um conceito de identidade, que pode ajudar a analisar a importância da identidade "Queixada" para a consolidação do movimento.

Por fim vou analisar a trajetória do Sindicato de Perus e de suas lideranças para identificar sua predisposição a este tipo de ação. Ainda estou indeciso de que referencial utilizar neste caso, é provável que utilize a obra de Norbert Elias e seu conceito de habitus, porém ainda estou aprofundando a leitura. Quanto ao histórico das lideranças e do sindicato, há um bom material na tese de Élcio Siqueira e caso não seja suficiente há o arquivo de Mário Carvalho de Jesus na biblioteca da UNICAMP.

Complementando os estudos sobre o aprendizado da não-violência, estudarei como ela foi ensinada aos operários ao longo da luta, para isso irei contar com a bibliografia sobre os queixadas já citada anteriormente, principalmente com o texto de Silvia Manfredi.


FRAGOSO, Antônio; BARBÉ, Domingos; CÂMARA, Hélder; et al. A Firmeza-Permanente: A força da não-violência. 2ª ed. São Paulo: Loyola-Vega, 1977.

MANFREDI, SILVIA MARIA. Educação sindical entre o conformismo e a crítica. São Paulo: Edições Loyola, 1986.

MCADAM, Doug; TARROW, Sidney; TILLY, Charles (1996). “Para Mapear o Confronto Político”. In: Lua Nova 76. São Paulo: CEDEC.

MULLER, Jean-Marie. O princípio da não-violência: Uma trajetória filosófica. 1st ed. São Paulo: Palas Athena, 2007. ISBN 978-85-60804-02-3.

SIQUEIRA, ELCIO. Melhores que o patrão : a luta pela cogestão operaria na Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus (1958-1963). Campinas: Universidade Estadual de Campinas . Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, 2009. Tese (doutorado). Disponível em: . Acesso em: 17 nov. 2011.

Filmes
  1. Rogério Corrêa, Os queixadas, DVD, Documentário, 1978.

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