Há dois capítulos que dizem respeito diretamente à minha pesquisa, o primeiro deles situa os diversos movimentos operários católicos, traçando um cenário mais amplo do que os textos produzidos pelos ativistas da JOC e da FNL, até ler este capítulo por exemplo, não sabia da existência dos sindicatos católicos de direita, isto talvez ajude a entender melhor o contexto da FNT.
O outro capítulo é exclusivamente sobre os métodos pedagógicos da FNT, lerei nos próximos dias.
No texto há várias notas de rodapé com referências relevantes para a minha pesquisa, uma delas cita uma série de cadernos editados pela própria FNT em 1980 em comemoração aos seus 20 anos. Uma universidade de Plimouth possui esta coleção microfilmada, alimentei minhas referências com os 5 cadernos. Após isso procurei referências a estes cadernos em bibliografias de trabalhos acadêmicos publicados na internet. Encontrei poucos links, todos eles de livros e teses sobre sindicalismo.
Um deles é a tese de doutorado de Elcio Siqueira, historiador que investiga a greve dos queixadas.
Eu já tinha descarregado sua tese de mestrado na qual achei informações muito relevantes sobre a presença não apenas de católicos, mas também de evangélicos, as relações entre queixadas e pelegos e a mudança das estruturas de oportunidade políticas, no início o governo apoiava os trabalhadores na tentativa de desapropriar a fábrica e colocá-la nas mãos dos operários, mas em 1962 mudou de posição e mandou a polícia.
Já a tese de doutorado não consegui ler inteira ainda, pois tem mais de 300 páginas, mas no pouco que li encontrei algumas entrevistas com queixadas e pelegos que traçam um cenário de mágoas e cisões familiares decorrentes da volta ao trabalho por parte de alguns e continuidade da paralisação por outros. Tal fato me fez fez pensar que a firmeza permanente talvez se restrinja a uma estratégia de luta coletiva sem constituir-se como uma ética não-violenta individual ou familiar. Em sua tese Elcio traz também algumas páginas sobre os principais personagens da peleja, o que pode me fornecer subsídios caso eu queira me embrenhar pelo estudo da trajetória das lideranças do movimento. Além disso, se eu quiser usar o conceito de "Estrutura de Oportunidade Política" de Tarrow, a contextualização do Mau Patrão me ajuda, pois demonstra que ele era mau visto por boa parte da sociedade, mesmo jornalistas ou militares, o que se constituiu como uma Estrutura de Oportunidades Políticas favorável aos queixadas.
Embora estas fontes secundárias tragam um grande aporte à minha pesquisa, em nenhum dos que li até agora há menção à não-violência, ao contrário dos textos primários que sempre ressaltam a Firmeza Permanente como diferencial da luta dos queixadas.
MANFREDI, SILVIA MARIA. Educação sindical entre o conformismo e a crítica. São Paulo: Edições Loyola, 1986.
SIQUEIRA, ELCIO. Melhores que o patrão : a luta pela cogestão operaria na Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus (1958-1963). Campinas: Universidade Estadual de Campinas . Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, 2009. Tese (doutorado). Disponível em: . Acesso em: 17 nov. 2011.
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