quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Rascunho do projeto da Iniciação

Compreendendo a mobilização não-violenta na luta dos queixadas

Objeto de estudo : A aplicação da Firmeza Permanente na greve dos queixadas.
Interesse : Compreender o processo de formação para a luta não violenta.

A greve dos queixadas, embora pouco lembrada, foi uma luta sindical que durou mais de uma década e conseguiu importantes vitórias sindicais através de estratégias não-violentas. João Breno Pinto, o presidente do Sindicato das Industrias de Cimento Portland de Perus e Mário Carvalho de Jesus, o assessor jurídico, escreveram textos que servirão de ponto de partida para as investigações deste trabalho. Tais textos foram publicados no livro “A Firmeza Permanente : a força da não violência”(ARNS, 1977), e apresentam um breve histórico da greve, refletindo sobre como a Firmeza Permanente, a forma como a não violência era chamada por uma ala ativista da Igreja Católica, foi importante para que a mobilização se mantivesse durante 11 anos.
A pretensão desta pesquisa é investigar como ocorreu a aplicação da Firmeza Permanente nesta luta, dando uma especial atenção às estratégias de formação utilizadas pelas lideranças sindicais para difundir os valores e princípios da ação não-violenta.
Desta forma, as perguntas motrizes do estudo serão:

A metodologia de luta dos queixadas, indiferente ao discurso de suas lideranças, foi realmente não violenta?

Compreendendo o "ser não violento" em duas dimensões: a ética dos indivíduos/instituição e a estratégia de luta coletiva.

Quais foram as estratégias utilizadas pelos líderes sindicais para realizar a formação dos operários?

Esta formação se enraizou ao repertório dos operários? Ou foi uma estratégia pontual.

Qual era o contexto sócio-político da mobilização? Este predispôs os operários e eles já estavam de certa forma preparados para esta formação, ou o trabalho do sindicato começou do zero?

Talvez seja necessário entender a questão do aprendizado de adultos em contextos não escolares, comunitários ou não-formais, principalmente em contextos de luta por direitos coletivos.

ARNS, Paulo Evaristo et al. A Firmeza Permanente: a força da não violência, São Paulo, Loyola/ Vega, 1977.

Nenhum comentário:

Postar um comentário